13 de dez de 2012

Valor Econômico: “90% dos municípios da PB dependem exageradamente de recursos federais”


Em matéria publicada no Jornal Valor Econômico, uma pesquisadora do IBGE destacou a dependência dos municípios brasileiros com os recursos federais.
Leia:
Longe da autossuficiência, as economias das cidades do Norte e do Nordeste ainda são fortemente dependentes da máquina pública. É o que revelou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em sua pesquisa sobre o Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios.
No levantamento, é possível perceber que, dos nove Estados da região Nordeste, todos têm mais da metade de suas respectivas cidades com pelo menos um terço de suas economias dependentes de recursos da administração pública. Na região Norte, a situação é menos pior: dos sete Estados, quatro têm mais da metade do total de suas respectivas cidades com mais de um terço do PIB dependente de recursos públicos. Para especialistas, isso reflete a ineficácia das estratégias do governo em desenvolver as economias regionais, e a presença pouco marcante do setor industrial fora dos eixos Sul e Sudeste.
A pesquisa mostrou que o peso da administração pública, no PIB das cidades era superior a um terço das economias municipais em 35,6% do total de 5.565 municípios do país (ou 1.980). Nesse universo de cidades com alta dependência de recursos públicos, os municípios do Norte e do Nordeste se destacaram, admitiu a pesquisadora do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, Sheila Zani. “Se olharmos a Paraíba, por exemplo, mais de 90% dos municípios daquele Estado têm mais de 40% de suas economias a depender dos recursos públicos”, detalhou. Em Roraima, todas as cidades do Estado têm mais de 40% de seus PIBs originados de atividades de administração pública.
Esses percentuais são bem menores em Estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Nenhum Estado, de cada uma dessas regiões, apresentou nível acima de 50% nesse mesmo quesito. Entre os Estados que apresentaram municípios com economias menos dependentes da máquina pública estão Paraná, onde apenas 0,5% das cidades tem mais de um terço de suas economias dependentes de atividades de administrações governistas, Santa Catarina, com 0,3% no mesmo tópico, e São Paulo, com 1,9% do total das cidades nessa situação.
A continuidade da presença expressiva dos governos nas cidades menos centrais do país ajudou a impulsionar o peso da administração pública na economia como um todo. Dados citados pela técnica do instituto atestam que a administração pública representou 13,9% do PIB em 2010, em cálculos preliminares – o segundo maior nível da última década, admitiu a pesquisadora, perdendo apenas para 2009 (14,1%), ano em que a economia brasileira mais sofreu efeitos negativos da crise global.
Para o economista e presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, Cláudio Frischtak, a ajuda do governo cria um processo de dependência das economias das cidades dos recursos públicos. Isso, na prática, é um fator desestimulante para o desenvolvimento das economias regionais. Na análise do especialista, os governos têm focado esforços em estratégias como programas de transferência de renda, sem ênfase em políticas de desenvolvimento econômico de longo prazo, nas cidades brasileiras. “Não conseguimos, ainda, ativar os circuitos produtivos do interior”, disse, frisando que, até o momento, o governo falhou nesse objetivo.
Frischtak chamou atenção para o fato de que são as cidades mais pobres que mostram maior dependência de recursos públicos. Portanto, as economias desses municípios só teriam a ganhar com desenvolvimento de atividades produtivas autossuficientes, avaliou.
Um dos aspectos que podem ter contribuído para a maior dependência das economias das cidades do Norte e do Nordeste dos recursos públicos é a presença ainda pequena de indústrias de peso naquelas localidades. Segundo o consultor do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) e ex-coordenador de Indústria no IBGE, Silvio Sales, já existe uma tendência de desconcentração industrial, fora das regiões Sul e Sudeste, com a abertura de indústrias que acompanham o “boom” de novas fronteiras agropecuárias. Entretanto, é um processo lento, admitiu. “Essa concentração industrial já foi mais marcante do que é hoje. Mas é claro, ainda existe”, avaliou.
Valor Econômico

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